A transformação dos paletes de madeira via ESG e automação

Por Augusto Canozo e Marcelo CanozoO Fall Plant Tours, realizado pela National Wooden Pallet and Container Association (NWPCA) em Houston (Texas), entre 20 e 21 de outubro, revelou de forma prática as...

Por Augusto Canozo e Marcelo Canozo

O Fall Plant Tours, realizado pela National Wooden Pallet and Container Association (NWPCA) em Houston (Texas), entre 20 e 21 de outubro, revelou de forma prática as tendências que estão moldando o futuro global dos paletes de madeira.

O diferencial do evento está na sua proposta: visitas técnicas detalhadas a fábricas em operação, permitindo que os participantes observem de perto cada etapa produtiva, interajam com gestores e compreendam como inovação, produtividade e sustentabilidade se conectam no dia a dia das empresas líderes do setor.
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Augusto Canozo e Marcelo Canozo

Com mais de 360 participantes, o encontro evidenciou avanços em sustentabilidade, automação, economia circular e rastreabilidade digital, consolidando a visão de um segmento mais eficiente e alinhado às exigências das políticas públicas e dos grandes compradores internacionais. A partir das visitas e debates, destacamos cinco movimentos que estão redefinindo o setor:

1. Sustentabilidade e economia circular
A sustentabilidade deixou de ser discurso para se tornar prática concreta. Fabricantes e operadores de pooling vêm ampliando ações de reutilização, reparo e reciclagem de paletes, reduzindo emissões e prolongando o ciclo de vida do produto. Modelos de aluguel compartilhado (pooling) e a busca por certificações como FSC e ISPM 15 tornaram-se diferenciais competitivos, especialmente para exportadores.

2. Reciclagem e materiais inovadores
A madeira segue dominante, mas o setor avança em soluções híbridas e moldadas, usando fibras recicladas, resíduos agrícolas e compósitos de alta performance. Esses materiais ampliam a durabilidade e reduzem o custo ambiental, enquanto novas tecnologias de moldagem e design encaixável melhoram o aproveitamento logístico e reduzem custos de transporte.

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Paletes movem o mundo

3. Rigor regulatório e certificações
A pressão regulatória aumenta, principalmente na Europa, América do Norte e Ásia. As normas exigem comprovação de origem sustentável, rastreabilidade e percentuais mínimos de materiais reciclados. A conformidade com padrões como o ISPM 15 é hoje condição indispensável para quem atua em cadeias exportadoras.

4. Automação e visão inteligente
A automação logística evolui rapidamente. Paletes precisam ser compatíveis com robôs, sistemas automatizados e esteiras inteligentes. O destaque agora vai para o uso de câmeras conectadas a sistemas de inteligência artificial, capazes de analisar automaticamente a qualidade dos paletes, detectar danos, rastrear fluxos de movimentação e validar conferências de expedição. Essas soluções tornam o controle de qualidade mais preciso, reduzem erros humanos e aumentam a eficiência operacional. Com o suporte da IA e de big data, a tomada de decisão se torna mais ágil e preditiva em toda a cadeia logística.

5. Customização e integração global
Com cadeias de suprimentos mais complexas, cresce a demanda por soluções personalizadas — em dimensões, resistência e acabamentos — adequadas a diferentes setores (alimentos, saúde, e-commerce). Essa tendência estimula parcerias entre fabricantes, operadores logísticos e plataformas de pooling, promovendo padronização, rastreabilidade e digitalização global.

O setor de paletes de madeira, historicamente conservador, entra em uma nova era. Sustentabilidade, eficiência e tecnologia se tornam eixos estratégicos, e o sucesso dependerá da capacidade de evoluir e colaborar em toda a cadeia. É um movimento que conecta a indústria à agenda ESG e consolida o papel do palete como ativo logístico e ambiental — não apenas como um simples suporte de carga.
*Augusto Canozo é sócio-diretor da GEE (Gestão Eficiente de Embalagens) e Marcelo Canozo Diretor Comercial da Fort Paletes.

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